Conquista do "Paredão Gil" (D1 3° VI E1/E2 - 130m - Mista)

Atualizado: Jan 22

Nova via na Pedra do Moinho, em homenagem ao querido guia e amigo Gil Lacerda, falecido recentemente, após uma vida repleta de aventuras

Pedro Bugim, Laura Petroni e João Pedro na conquista do "Paredão Gil" (D1 3° VI E1/E2 - 130m - Mista)

Dia 20 de janeiro, além de marcar o feriado de São Sebastião, padroeiro da cidade maravilhosa, marca também o aniversário do segundo clube mais antigo do Rio de Janeiro, o Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ), que em 2020, completou 81 anos.


Aproveitando o fato do dia 20 cair exatamente em uma segunda feira, o clube agendou uma festa de comemoração na serra, tendo como base o Abrigo Cumes, em Corrêas, do querido amigo Arthurzinho. Obviamente, eu, Laura e João Pedro não poderíamos ficar de fora.

Galera do CERJ escalando a "Expresso 2222" e a "Realce", na Pedra do Moinho

Subimos no dia 18, sábado, na parte da tarde. O trânsito, diferente do que imaginávamos, estava muito tranquilo e levamos cerca de 1 hora e meia, da Tijuca até o abrigo. Após almoçar nas redondezas, passamos o resto da tarde curtindo uma boa conversa com os amigos, sendo vencidos pela preguiça, sem realizar nenhuma atividade física neste dia.


Já no domingo, acordamos cedo e nos juntamos à "invasão" do CERJ à Pedra do Moinho (instruções de acesso, aqui). Foram nada mais, nada menos que 21 pessoas espalhadas pelas (então) seis vias existentes no setor direito da parede, seja fazendo as vias em sua totalidade, seja treinando em top-rope.

Pedro Bugim, conquistando um lance loooongo, que seria intermediado durante o rapel

Já eu, Laura e João, decidimos investir em uma nova linha, mais à esquerda da "Expresso 2222" (D1 3º IVsup E2 - 150m - Mista). Esta nova linha começa cerca de 50 metros à esquerda, beirando a parede, descendo ligeiramente. Sua base é confortável e possui uma árvore que confere sombra aos escaladores, antes do início da escalada.


Como os lances iniciais são relativamente simples, tentei esticar o mais rápido possível, protegendo poucas vezes, deixando para intermediar os lances durante o rapel. Assim, em pouco tempo, a via foi ganhando extensão. Quase ao final da primeira enfiada, que ficou com 55 metros, surgiu uma pequena barriga a qual parecia bem estranha, mas escolhendo o trajeto com cuidado, o lance acabou não ficando muito complexo, sendo graduado no máximo como um 4° grau.

João Pedro dando segurança à Laura, na conquista do "Paredão Gil"

João Pedro veio na sequência, subindo sem problemas e com uma velocidade impressionante. Antes dele chegar na parada, iniciei a segurança da Laura, que veio igualmente tranquila, apenas reclamando um pouco da panturrilha, já que a via puxa bastante para a perna (aderência e "abaulência" em boa parte da primeira enfiada).


A visão da P1 para cima não é muito animadora. Parecia que teríamos apenas uns 20 metros de rocha, até encontrar a barreira de vegetação. Entretanto, conforme eu subia, ia percebendo um caminho óbvio por entre as áreas verdes, inclusive, com ótimas fendas, protegidas em móvel! Foi perfeito para ganhar terreno com maior velocidade, já que não precisaria colocar muitas proteções fixas. Boas proteções em friends pequenos e médios (camalot C4, do #0.3 ao #2).


Com mais 55 metros de via conquistados, após estabelecer a P2, puxei novamente João Pedro e Laura, que vieram sem problemas neste trecho, devido à sua simplicidade nos lances. Apenas um rápido pit stop em uma moita no meio da parede, para um xixi do João.

Laura Petroni na primeira enfiada do "Paredão Gil", durante a sua conquista

Da P2 a visão também não era das melhores: um teto bem pronunciado marcava o final da via, pouco acima. Assim, subi com cautela e fui escalando em horizontal pela borda do teto, até encontrar um ponto de menor resistência, para tentar fazer a virada. Aparentemente, seria um lance quase impossível, mas após algumas tentativas e ensaios de movimentos, o lance saiu. E ficou lindo! Apesar de destoar de todo resto da via (trata-se de um 6° grau), o lance recebeu uma chapeleta logo acima do teto, permitindo que o mesmo seja vencido em artificial, caso necessário.


Passado o teto, a via ainda segue por uns 10 metros fáceis, até chegar à P3, parada final, 20 metros acima da P2. O rapel foi feito de forma relativamente lenta, pois a corda dupla teimou em embolar em vários pontos, além da necessidade de proteger alguns lances expostos, não protegidos durante a subida.

Turma do CERJ, na comemoração dos 81 anos

No final, olhando para o relógio, fiquei impressionado com o tempo que gastamos para abrir uma via completa, com 130 metros: apenas 2 hora e meia! Assim surgiu o "Paredão Gil" (D1 3° VI E1/E2 - 130m - Mista), protegida com chapeletas rapeláveis (PinGo) e com paradas duplas (feitas com uma chapa e um grampo de aço carbono de 1/2), no máximo a cada 30 metros, permitindo o rapel com uma única corda. A exceção fica por conta da parada intermediária (para rapel) da segunda enfiada, na qual existe apenas um grampo de 1/2.


Apesar de tudo, internamente, o coração continuava apertado pela perda do querido amigo Gil Xavier Lacerda, sócio do CEB desde 14 de maio de 1969, tendo sido também proprietário, benemérito e guia do clube, que nos deixou aos 93 anos, no dia 15 de janeiro. Nada mais justo que homenageá-lo com esta bonita via.


Agradecimentos à Laura e ao João Pedro, meus amores, por mais esta aventura!



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© 2018 por PEDRO BUGIM

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