"Pé de Vento" (3° IV E2/E3 D1 - 170m - Mista): Nova via em Petrópolis

No início de maio de 2019, o Morro da Reunião (bairro do Bonfim, Petrópolis) ganhou mais uma boa opção, com acesso simples à base, lances tranquilos e um visual de tirar o fôlego!

Laura Petroni na primeira enfiada da "Pé de Vento" (3° IV E2/E3 D1 - 170m - Mista)

No final de Abril, finalmente consegui conhecer o refúgio do Arthurzinho, o Abrigo Cumes, em Corrêas, Petrópolis. Na ocasião, aproveitamos para conquistar a via "Rebimboca da Parafuseta" (4° V (VIIb/A1) E2/E3 D1 - 200m), sendo esta a primeira via nesta face, além de acabar se tornando (até então) a via mais dura da parede. Mas nossa ideia inicial era conquistar algo mais acessível e "agradável" de se escalar.


Assim sendo, retornamos eu, minha esposa Laura e meu filho João Pedro, duas semanas depois, com a ideia inicial de achar uma linha na mesma parede, porém, que fosse menos complexa. Além disso, vínhamos de uma semana estressante, por conta dos problemas decorrentes da destruição causada pelo vendaval que assolou o evento Rio nas Montanhas, o qual sou responsável, via FEMERJ, no final de semana anterior (maiores informações virão em um post futuro). Então, nosso principal foco seria espairecer.

João Pedro na P1 da "Pé de Vento" (antes de ser duplicada)

A estrada para a entrada da trilha é quase a mesma que se faz para acessar o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no lado de Petrópolis. Pouco antes da portaria, deve-se pegar uma bifurcação à direita, em direção à óbvia parede, onde a via está localizada. É possível estacionar o carro exatamente na entrada da trilha, pois há um galpão com uma reentrância na estrada, apesar dela ser relativamente estreita (pode-se ver um mapa de acesso clicando aqui).


A trilha começa por trás de uma horta, a qual pode ser contornada pela esquerda. Não se esqueça de pedir gentilmente aos moradores locais, a devida permissão para passar. Não há muros ou cercas, mas é de bom tom manter a relação amistosa com os locais.

Pedro Bugim na conquista do crux da "Pé de Vento", na segunda enfiada

Ao começar a subir, há há uma trilha relativamente marcada que se inicia pela direita, após contornar a horta pela esquerda, subindo bem diretamente nos primeiros metros, passando por muita samambaia açú. Depois, entra-se em um bosque de pinheiros surreal, muito interessante e diferente. Neste ponto, é possível caminhar sem obstáculos até a base das vias, sempre tendendo à esquerda e para cima. o trajeto total não dura mais que 10 minutos (do carro à base).


Uma característica desta face, é uma proeminente barriga que corta horizontalmente toda sua extensão, aproximadamente a 50 metros de altura da base. Este foi justamente o lance do crux da "Rebimboca da Parafuseta" (VIIb ou A1). Por isso, estudamos bastante as linhas disponíveis e encontramos um ponto que aparentemente não representaria grande resistência, já bem na extrema esquerda da parede.

Laura Petroni e João Pedro na terceira enfiada da "Pé de Vento"

Iniciei a conquista por volta das 11:00h da manhã, com um tempo um pouco nublado e com um vento bastante agradável. A primeira enfiada começa em uma canaleta em diagonal para a esquerda, que encontra um dique de cristais / basalto bem interessante. Este dique leva a uma pequena sessão em aderência, antes de atingir a primeira parada da via, aos 50 metros de altura. O crux deste início fica logo nos primeiros 10 metros, em dois lances na canaleta.


Depois da P1, feita em um ótimo platô, a via segue levemente à direita, por um diedro voltado para o mesmo lado, com boas possibilidade de proteção em friends pequenos e médios. Este é o crux da via, mas não representa grande obstáculo, sendo um curto lance de 4° grau. Depois do diedro, boas fendas horizontais podem ser protegidas com friends pequenos. Na sequência, mais lances em aderência, com proteções fixas, levam à segunda parada, 50 metros acima da P1.


A terceira enfiada inicia em um lance protegido por friends médios, seguindo por lances em aderência e cristaleiras muito interessantes, até atingir a P3, 55 metros depois. Por fim, a parede ganha um bonito dique de basalto, formando uma verdadeira escada até a linha limite da rocha com a vegetação. Esta parte final possui cerca de 15 metros e não possui proteção intermediária, pois trata-se de um lance muito simplório, embora muito interessante. Ao final, a P4 é constituída de uma chapa simples, rapelável.

Pedro Bugim e João Pedro (usando chapéus?!) na última parada da "Pé de Vento"

Conforme esperávamos, a via de fato se mostrou muito agradável e sem grandes obstáculos, os conferindo um dia de pura diversão! Ainda intermediei vários lances durante o rapel, pois a via foi conquistada da base até o cume com apenas 5 proteções intermediárias e as paradas. Ao final, 18 chapeletas protegem a via inteira, além da opção de proteção móvel em algumas partes (vide croqui).


O mais interessante foi ver o Arthurzinho solando integralmente a primeira enfiada, para nos encontrar durante o rapel... e parando em um belo platô ao lado da P1 para tirar uma "soneca"... hehehehehe!


Agradecimentos ao Arthurzinho por mais uma vez ser um anfitrião espetacular! No dia seguinte ainda nos levou para conhecer a "Falésia do Ser", um setor de escaladas bem forte e impressionante. Agradecimentos também à Laura e ao João, que como sempre, foram a companhia perfeita!!!


O nome da via, por óbvio.... faz menção ao evento climático que assolou o evento Rio nas Montanhas 2019 (a Abertura da Temporada de Montanhismo do RJ)....

Traçado na parede da "Pé de Vento" (3° IV E2/E3 D1 - 170m - Mista)

Croqui da "Pé de Vento" (3° IV E2/E3 D1 - 170m - Mista)


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© 2018 por PEDRO BUGIM

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