Conquista da via "Lá Vem o Sol" (4º Vsup E2 D1 - 130m)

Atualizado: 30 de Ago de 2019

Nova via na Face Norte do Perdido do Andaraí, em companhia dos queridos amigos Velho Fajardo e Michelle Baldini

Velho, na conquista da segunda enfiada

Tudo começou com uma animada conversa no CERJ, quando descobri que o Velho havia a mesma intenção que eu, de abrir uma via na Face Norte do Pico do Perdido do Andaraí, na reserva florestal do Grajaú, passando por uma sequência visivelmente incrível de buracos. Resolvemos unir esforços e traçamos algumas estratégias iniciais para as investidas.


Pouco tempo depois, aproveitei um dia livre e fui sozinho fazer uma exploração no local. Fiz o reconhecimento da base e tracei possíveis linhas imaginárias. A via ficaria situada à direita da “Variante Norte do Perdido do Andaraí” (via de 1979, com lances longos e grampos bem deteriorados) e à esquerda do “Pr. O Som do Silêncio” (recente conquista minha, em solitário). Aproveitei para, neste mesmo dia, subir alguns metros e posicionar a primeira proteção da via. Na descida, uma grata coincidência: Na trilha de descida, encontrei o Velho que havia escalado o “Pr. Edmundo Braga” com o Pupim e o Maurício! Isso nos deu mais empolgação de fechar o projeto.


Combinamos a investida final para a semana seguinte e para compor a trupe, convidamos a Michelle Baldini, que atualmente participa do curso de guias do CERJ. Não poderíamos ter feito escolha melhor!

Michelle na primeira enfiada

Foi então que no dia 09 de junho, fomos os três para a parede, chegando na base pouco depois das 9:00h da manhã. O tempo estava perfeito: muitas nuvens no céu e ventos refrescantes, que batiam na parede.


Fiquei encarregado de limpar a parte inicial da via e posicionar algumas proteções intermediárias, enquanto o Velho tocava a sequencia inicial até a primeira parada da via, com segurança da Michelle. A saída da via ficou bem delicada, passando por micro regletes até chegar nos buracos. Entretanto, esta sequência inicial pode ser evitada, subindo pela fenda da via ao lado esquerdo e fazendo uma horizontal fácil (porém exposta) até o quarto grampo da via.


Vencidos os primeiros 45 metros, foi a vez da Michelle enfrentar seus primeiros lances na ponta da corda, durante uma conquista... E ela o fez de forma exemplar! Metro a metro os buracos foram sendo vencidos e as passadas foram saindo, com confiança e determinação. Pouco tempo e dois grampos depois, ela chegou a um grande platô, onde posicionaria seu terceiro grampo. Mas nem tudo são flores. Como numa boa conquista não pode faltar emoção, eis que a furadeira começa a parar... e... Acabou a bateria! Paramos tudo, avaliamos a situação e resolvemos que o Velho travaria a corda da Michelle e me daria segurança para ir guiando até sua posição para passar uma nova bateria. Passado o susto, ela terminou de posicionar a proteção e rapidamente puxou o Velho. Aproveitei para subir mais alguns lances em auto segurança para estabelecer nossa segunda parada.

O trio na base, após a conquista!

Deste ponto em diante, a parede tornava-se mais desafiadora, com lances bem verticais. O Velho novamente pegou a ponta da corda e venceu alguns lances tensos, batendo mais dois grampos e voltando para a parada. Foi então a minha vez de seguir na frente, sob o coro do Velho e da Michelle, cantarolando abaixo! Rs... Mas o pior era a tensão das nuvens se esvaindo, revelando um sol escaldante!


Os lances foram saindo aos poucos, em passadas bem delicadas, mas muito interessantes. Decidi passar leve pelos lances, levando poucos grampos. Com isso, dei uma esticada longa até a terceira parada da via, batendo apenas três grampos. Dei segurança aos dois parceiros que rapidamente chegaram à P3. Demos a conquista por finalizada, pois deste ponto em diante, é possível fazer uma diagonal fácil para a direita, juntando com o “Pr. O Som do Silêncio”, na terceira enfiada desta via.


Na descida, fui batendo os grampos intermediários que faltavam. Chegamos os três na base por volta das 14:00h. Ou seja, conseguimos conquistar a via toda, com aproximadamente 130 metros e 20 grampos em 5 horas! Espetáculo! Neste momento, o sol já havia chegado com tudo e o calor já beirava o insuportável...


No retorno para casa, todos no carro do Velho, ouvimos a música “Here Comes The Sun”. Foi então que surgiu o nome para a via: “Pr. Lá Vem o Sol” (4° Vsup E2 D1 – 130m)!


Agradecimentos ao CERJ, clube que cedeu as proteções utilizada e para o qual a via foi doada. Agradecimentos especiais ao Velho e à Michelle, que foram (como sempre), nota 1000!!!

Traçado da via, em conjunto com a "Som do Silêncio"

Croqui da via, em conjunto com a "Som do Silêncio"

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© 2018 por PEDRO BUGIM

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