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Novas (lindas) vias no Morro do Limoeiro - Guapimirim

Atualizado: 16 de jul.

Dedo de Deus, Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora.... Guapimirim possui montanhas muito emblemáticas em seu território, mas engana-se quem acha que é apenas na parte "alta" da cidade que existem boas opções de escalada. Exemplo disso é o Morro do Limoeiro, montanha sensacional, de fácil acesso e com vias recém conquistadas.

Em meados de 2020, ainda no início da pandemia, eu e Laura tivemos uma grata surpresa, ao saber que a nossa querida amiga Michelle Baldini e seu marido Rodrigo Carreira haviam comprado um sítio em Guapimirim (com uma montanha no terreno!), pois este santuário se converteu na nossa maior válvula de escape frente a todo o isolamento que nos impomos.


Por lá, abrimos algumas trilhas e conquistamos dezenas de vias incríveis, de diferentes graduações e estilos, o que certamente será tema para outro post. Mas fato é que pela primeira vez, tivemos a oportunidade de explorar a "parte baixa" de Guapimirim, já que as atenções inevitavelmente acabavam sempre voltadas às emblemáticas montanhas do Parnaso, como o Dedo de Deus e Escalavrado, dentre outras. E foi incrível descobrir como existem inúmeros atrativos nesta cidade, tais quais montanhas, falésias, cachoeiras, trilhas, restaurantes - tudo isso a cerca de 1 hora do Rio de Janeiro, possuindo ótima estrutura, unido à tranquilidade com toque de cidade do interior.

O poço principal da Cachoeira da Concórdia em um típico dia de verão
O poço principal da Cachoeira da Concórdia em um típico dia de verão

Eis que, ainda em 2021, fomos conhecer a Cachoeira da Concórdia, ao lado do Bairro do Limoeiro (sim, o mesmo nome do bairro em que se ambientam as histórias da Turma da Mônica!). Trata-se de uma sequência de poços do Rio Iconha, incrustados em um vale formado pelas montanhas aos pés da Serra dos Órgãos, com acesso bem tranquilo em uma caminhada de cerca de 30 minutos à partir do ponto onde deixa-se os carro. Ocorre que em um dos lados do vale, está o imponente Morro do Limoeiro (também chamado por alguns de "Marivone"), sendo esta a montanha subsequente ao Escalavrado, na direção sudeste. E, claro, não pude deixar de reparar nas enorme paredes que ali existiam, sem ainda possuírem nenhuma via à época...


Como nossa atenção estava voltada às falésias do Sítio Caminho das Rosas (da Michelle e do Carreira), além de novos projetos no Elo Perdido (outra incrível falésia de Guapimirim), o tempo foi passando e em agosto 2022, a primeira via foi conquistada no Morro do Limoeiro, pelo grande amigo Leonel Rilo e seus companheiros Luis Fernando "Bermuda" e Alexandre Pontviane. Tratava-se da via "Ritos de Passagem" (4º VIsup E3 D3 - 330m), que segue por uma linha extraordinária, mais à esquerda da face leste da montanha. Este marco foi importantíssimo, não apenas pela beleza e imponência da via, mas também por representar o início da era das vias longas na parte baixa de Guapi.

A primeira investida à "Provedor Galeão", em solitário e na chuva
A primeira investida à "Provedor Galeão", em solitário e na chuva

Alguns anos mais tarde, em um sábado de chuva, no qual não havia nenhuma programação e que a Laura precisara trabalhar, resolvi fazer uma incursão sozinho à montanha, com a intenção de estabelecer uma trilha mais "amigável" à base da face leste do Limoeiro, haja vista a trilha para a base da "Ritos de Passagem" ter sido criada desde uma parte muito baixa, sendo relativamente longa e em terreno instável com muitas pedras soltas. Assim, tendo estudado o terreno por mapas, além de ajuda do google e de fotos que fiz com o drone, consegui abrir uma trilha que sai da estrada de acesso à Cachoeira da Concórdia, exatamente em um colo na parte mais alta da estrada, utilizando o máximo de curvas de nível, gerando um caminho com cerca de 15 minutos apenas, desde a entrada da trilha até a base da parede da face leste, no seu setor da direita (ou pouco menos de 30 minutos, desde o estacionamento).


Neste mesmo sábado, dia 9 de março de 2024, aproveitei a viagem para iniciar um projeto em solitário, conseguindo subir 40 metros e posicionando 8 chapeletas, sendo vencido pela parede que estava muito molhada.

Michelle Baldini na segunda enfiada da "Provedor Galeão", durante a conquista
Michelle Baldini na segunda enfiada da "Provedor Galeão", durante a conquista

Empolgado com o novo projeto, não demorei a voltar, desta vez, em companhia da Michelle, no dia 27 de março. O dia estava ensolarado e quente, que, junto ao peso, nos fez subir a trilha devagar, chegando à base às 8:30h da manhã. A primeira enfiada foi terminada em poucos minutos, pois além de já ter os seus primeiros 40 metros protegidos, não contava com nenhum lance mais delicado, sendo tudo na casa do 3º ou 3ºsup.


Deste ponto em diante, a parede ganha um pouco de verticalidade e a aderência se mantém constante, o que deu um certo trabalho para ler e vencer algumas passadas. Na metade superior da segunda enfiada, encontra-se o crux da via, em um lance de 5ºsup, feito com toda a calma do mundo, principalmente nos momentos em que era necessário parar para posicionar uma chapeleta. A terceira enfiada mantém a verticalidade e o nível, representando mais 30 metros de "levitação", até a parada final, totalizando 135 metros de via.

Pedro Bugim e Michelle Baldini na última parada da "Provedor Galeão", no dia da conquista
Pedro Bugim e Michelle Baldini na última parada da "Provedor Galeão", no dia da conquista
O "Provedor Galeão"!
O "Provedor Galeão"!

O rapel foi feito de forma bem rápida, mesmo estando com uma corda apenas, chegando à base às 11:30h, sob um sol de rachar. Sorte que havíamos levado algumas cervejas no gelo para a base, o que fez este retorno ser extremamente prazeroso. Organizamos o equipamento e rumamos para a casa da Michelle, onde o Carreira já nos aguardava com um incrível churrasco! Curiosamente, durante o "churras", o galo da casa estava cercando as carnes que caíam e as entregava para as galinhas se alimentarem.... não recordo ao certo quem gritou um "olha o provedor galeão!". Neste momento, caímos na gargalhada e acabei aproveitando este nome inusitado para batizar esta belíssima linha!




Não tardou muito para voltarmos, desta vez, no dia 04 de maio de 2024, em companhia do Leonel, um dos conquistadores da "Ritos de Passagem" e da Laurinha, que no dia desta investida, já estava com quaro meses e meio de gravidez (20 semanas). Por este motivo em específico, fizemos a trilha com todo o cuidado do mundo e chegamos à base por volta das 9h45min.


Escolhemos uma linha mais à esquerda da "Provedor Galeão", sendo o Leonel responsável pela abertura dos primeiros 60 metros, em lances de 3º, com algumas passadas esporádicas mais delicadas, mas nada muito técnico.

Laura Petroni na conquista da "Embarazada", grávida de 4 meses e meio
Laura Petroni na conquista da "Embarazada", grávida de 4 meses e meio

Na sequência, subimos eu e Laura até a P1, ficando comigo a responsabilidade de tocar a segunda enfiada, igualmente "tranquila", com mais 60 metros, até estabelecer a P2, justamente abaixo do trecho em que a parede ganha uma verticalidade considerável. Em poucos minutos, Leonel e Laura já estavam em minha companhia, ficando ao Leonel a missão de começar os lances mais técnicos da via.


A saída da P2 já mostrou que não teríamos folga nas próximas enfiadas: de cara, um belo lance de 6º grau, seguido de uma porção completamente lisa, na qual o Leonel foi encaixando aos poucos os movimentos, utilizando-se de alguns apoios artificiais nas partes mais críticas. Cerca de 15 metros acima, a parede ganha algumas agarras e os lances voltaram a ser feitos inteiramente em livre, até que chegássemos à metade da terceira enfiada, onde tivemos que parar, pois havíamos esgotado todas as chapeletas, além do sol estar escaldante.

Leonel Rilo, Laura Petroni e Pedro Bugim na conquista da "Embarazada"
Leonel Rilo, Laura Petroni e Pedro Bugim na conquista da "Embarazada"

O rapel foi feito sem grandes contratempos, exceto pela ideia da Laura em descer em diagonal, na tentativa de alcançar uma parte da trilha, mais alta, evitando este pedaço de rapel e consequente subida pela trilha, que na prática, mostrou-se mais trabalhoso do que benéfico. De todo modo, às 13h40min já estávamos os três organizando o equipamento na base, chegando ao carro pouco tempo depois.


Duas semanas depois, foi a vez de voltarmos eu e Leonel à parede, desta vez sem a Laura, já que a via estava se configurando para algo bem complexo e demorado, o que não seria muito recomendável a ela e ao bebê. Então, no dia 18 de maio, encontrei com o Leonel já na base da via, às 8:20h. Vencemos rapidamente as duas enfiadas iniciais e peguei a ponta da corda para finalizar a terceira enfiada. Tentei rapidamente livrar os lances iniciais deste esticão, conquistados pelo Leonel, mas com todo o peso que carregava, apesar de isolar a maioria dos lances, não consegui encaixar tudo diretamente.

Leonel Rilo conquistando a primeira metade da terceira enfiada da "Embarazada"
Leonel Rilo conquistando a primeira metade da terceira enfiada da "Embarazada"

Do ponto em que paramos em diante, a parede não dá refresco. Novos lances bem técnicos, muito bonitos, na casa do 6ºsup (obrigatórios). Com um bom esforço, consegui estabelecer a P3, 50 metros acima da P2. Leonel veio em seguida, igualmente tentando liberar todos os lances iniciais da enfiada, isolando praticamente todos, mas sem encaixar a sequência completa. Estimamos um 7ºc em aderência para esta parte, mas que pode ser feita em A0. Toda a sequência após esta parte é obrigatória, bem delicada e técnica.

Leonel Rilo trabalhando os lances de 6ºsup do final da terceira enfiada
Leonel Rilo trabalhando os bonitos e técnicos lances de 6ºsup do final da terceira enfiada

A quarta enfiada foi tocada brilhantemente pelo Leonel, iniciando em um lance de agarras para cima e, logo em seguida, fazendo uma interminável horizontal em aderência de 6ºsup, com lances obrigatórios, até atingir a P4. Esta enfiada acabou ficando mais curta, devido à sua complexidade e ao arrasto da corda.


Muito empolgado, Leonel ainda conquistou os 30 metros iniciais da quinta enfiada, em lances inicialmente de 5º grau, baixando a graduação à medida que subia. Peguei a ponta da corda nos 30 metros "burocráticos" do final, em lances fáceis, até atingir a barreira de vegetação do topo da via, pouco antes das 14h. Leonel se juntou a mim em poucos instantes e aproveitamos a sombra que fazia (a parede fica na sombra à partir de determinado horário) para descansarmos um pouco, nos hidratarmos, tirarmos algumas fotos e organizarmos a descida dos 255 metros de parede.

Leonel Rilo conquistando a "sinistra" horizontal em aderência da quarta enfiada
Leonel Rilo conquistando a "sinistra" horizontal em aderência da quarta enfiada

O rapel pode ser feito com uma única corda de 60 metros, já que a via possui paradas duplicadas a cada 30 metros, no mínimo. Entretanto, a quarta enfiada representa uma horizontal bem significativa, o que complica - e muito - esta descida. Então, recomenda-se descer utilizando duas cordas de 60m, saindo da metade da quinta e última enfiada, diretamente até a P3.


Chegamos de volta à base pouco antes das 15h, após um dia longo e cansativo, porém muito, mas muito divertido! Inclusive, fiquei muito feliz e emocionado, quando o próprio Leonel sugeriu o nome da via como "Embarazada" (grávida, em espanhol), em homenagem à Laurinha. :-)

Pedro Bugim e Leonel Rilo na parada final da "Embarazada"
Pedro Bugim e Leonel Rilo na parada final da "Embarazada"

Mas não acaba por aqui! rs... Ainda faltava uma linha bem óbvia, exatamente no centro da parede, que desde a primeira vez que olhei para o Morro do Limoeiro, pensei em conquistar. Finalmente, no dia 15 de junho de 2024, retornei à montanha, desta vez em companhia exclusiva do meu filho João Pedro (que estava precisando de um exercício... hehehehe), para fazermos a investida inicial desta bonita linha.


A subida da trilha foi rápida, porém, gastamos alguns preciosos minutos para de fato encontrarmos a base ideal, fuçando diversas possibilidades, até que, por volta das 9h30min, chegamos a um ponto no qual podíamos ver praticamente toda a parede desde a base, nos certificando de estarmos realmente na direção desejada.

João Pedro Vergnano na conquista da primeira enfiada da "Tal Pai, Tal Filho"
João Pedro Vergnano na conquista da primeira enfiada da "Tal Pai, Tal Filho"

Comecei os trabalhos em lances de aderência e algumas agarras "perdidas", variando do 3º ao 4º grau, até estabelecer a P1, 60m acima da base. João veio que nem um foguete, me dando trabalho para recolher a corda na velocidade em que ele subia. A segunda enfiada foi igualmente veloz, sendo bem semelhante à primeira, tanto em tamanho quanto graduação e proteções.


A terceira enfiada ainda conta com lances relativamente simples, possuindo uma passada ou outra mais delicada, mas ainda assim sem nenhum lance realmente complexo. Com apenas uma hora de escalada, às 10h30min, já havíamos conquistado três enfiadas completas, chegando ao ponto da parede em que há uma nítida barriga que corta a montanha lateralmente, conferindo as enfiadas difíceis de todas as vias desta face.

Pedro Bugim e João Pedro Vergnano na metada da quarta enfiada da "Tal Pai, Tal FIlho", durante a conquista
Pedro Bugim e João Pedro Vergnano na metada da quarta enfiada da "Tal Pai, Tal FIlho", durante a conquista

Iniciei a quarta enfiada com bastante atenção, em lances mais delicados de aderência, até que a parede ganhasse verticalidade. Para minha surpresa, mesmo que distantes entre si, havia agarras nesta parte, desde que bem "garimpadas". Os lances foram saindo, um a um, proteção a proteção, até que aos 30 metros, minhas chapeletas acabaram. O relógio marcava 11h e o sol estava realmente forte, sem vento algum. Com isso, a falta de chapeletas foi a desculpa perfeita para encerrarmos os trabalhos do dia e planejássemos a próxima investida com calma.


João ainda subiu, fazendo os lances de 5ºsup com uma tranquilidade anormal (exceto por um lance looongo no início da parede vertical). Ao todo, conquistamos exatos 200 metros, chegando de volta à base exatamente ao meio dia, com meras 2 horas e meia de atividade. Coisa linda escalar com o João!

Galera na estrada de acesso à Cachoeira da Concórdia, pouco antes de entrar na trilha para o Limoeiro
Galera na estrada de acesso à Cachoeira da Concórdia, pouco antes de entrar na trilha para o Limoeiro

Para nossa investida final, escolhemos o dia 06 de julho de 2024. Desta vez, eu e João teríamos o apoio do Ernane "Tufo" Wermelinger, grande amigo com quem já conquistei inúmeras vias, e da Michelle. Também nos acompanharam à parede, os amigos Joel e Catia, que repetiriam a "Provedor Galeão".


Subimos a trilha com tranquilidade, pois o peso da minha mochila com todo o equipamento, cordas, água e um pack com 4 cervejas no gelo (rs...) estava na casa dos 30 Kg. Ao chegarmos na base, nos equipamos rapidamente e por volta das 9h, comecei a escalar. Antes de puxar o João, Michelle veio guiando a segunda cordada, feita com o Tufo, aproveitando a corda de suporte para qualquer eventualidade. Assim que ela se aproximou da mim na P1, João subiu na velocidade da luz, montando a minha segurança na sequência, para a segunda enfiada.

Joel e Catia na "Provedor Galeão"
Joel e Catia na "Provedor Galeão"

Deste ponto em diante nos separamos da cordada da Michelle e Tufo, chegando ao ponto em que havíamos parado na investida anterior em assombrosos 30 minutos. Sabíamos que a agilidade seria crucial, pois deste ponto em diante, nitidamente os lances ficariam mais complexos, o que demandaria mais energia e tempo.


Dito e feito: logo após a parada dupla na metade de quarta enfiada, os lances que antes estavam na casa do 5ºsup começaram a ficar bem mais complicados, chegando ao 6ºsup. Em um ponto específico, há um lance que nitidamente deve ser feito utilizando um abaulado para as duas mãos, com os pés "no nada" e se valendo de muita força. Ensaiei diversos movimentos, chegando a idealizar como deveria ser feito, mas com todo o peso que carregava, desisti e usei um ponto artificial para vencer alguns poucos centímetros e continuar escalando em livre na sequência, continuando na casa do 6ºsup, até a P4.

João Pedro na P3, com Michelle e Tufo na segunda enfiada da "Tal Pai, Tal Filho"
João Pedro na P3, com Michelle e Tufo na segunda enfiada da "Tal Pai, Tal Filho"

Com o tempo gasto neste processo, a segunda cordada já havia chegado à P3, com o Ernane já se preparando para guiar a quarta enfiada, pedindo para que viesse antes do João, tendo a minha corda como apoio. Ideia iluminada, já que, mesmo com a corda fixa, houve grande dificuldade em vários pontos. Ao chegar à P4, aproveitamos para duplicar a parada utilizando um grampo de 1/2 que o Tufo havia trazido, para complementar alguns pontos da via.


Na sequência, João veio até nós, encontrando dificuldade nos lances acima do sexto grau, mas mesmo assim, escalando bem rápido. Com isso, em pouco tempo, eu já me preparava para encarar a quinta e mais complexa enfiada da via...


A saída da P4 já é bem estranha. Lances verticais, muita aderência, parede lisa e alguns regletes chave. Evolui para uma espécie de "mini diedro invertido" vertical, feito em agarras, aderência, oposição, tendo um trecho final, antes de um platô de mato, realmente difícil, na casa do 7a. A vegetação do platô foi uma salvação. Abracei como se a amasse, conseguindo enfim um terreno sólido para descansar um pouco. Foram cerca de 10 metros muito, mas muito técnicos e estressantes, embora incrivelmente bonitos.

Tufo e João pedro na P4, com Michelle escalando a quarta enfiada
Tufo e João pedro na P4, com Michelle escalando a quarta enfiada

Deste platô em diante, pouco acima, há uma enorme laca em arco para a direita, a qual estávamos mirando desde a base. Infelizmente, ao chegar perto, percebi que a proteção móvel não seria uma opção, pois não havia nenhuma fenda sólida ou aberta o suficiente para proteger. Decepção ter levado quilos de equipamento móvel para nada. Após bater uma chapeleta pouco acima do platô de mato, iniciei os lances bem delicados para entrar na fenda, em oposição. Cerca de 4 metros depois, resolvi testar uma agarra acima da laca, tirando a tensão do pé (que estava em oposição). Resultado: uma bela queda de cerca de 5 metros, parando em pé, no platô!


A marca da queda na parede ficou hilária, com meus 5 dedos da mão esquerda marcando o líquen, tal qual uma garra de gato na parede. Por sorte, a única lesão foi uma bela e profunda ralada no antebraço esquerdo, mesmo estando de blusa de manga comprida. Após avaliar a situação, decidi tentar novamente, iniciando da mesma forma, mas mantendo a oposição até o final, seguindo a laca sempre para a direita, batendo duas chapas no processo, até atingir um ótimo platô de mato. Apesar da queda, o lance não é muito complexo, sendo a entrada da fenda, talvez, a pior parte, na casa do 6º grau. A fenda em sí, acredito que seja um 5º grau muito bacana!

João Pedro no final da quinta enfiada, após a grande barriga
João Pedro no final da quinta enfiada, após a grande barriga

À sequência deste segundo platô de mato, existe ainda um lance forte, de domínio, até que se passe de fato a barriga do meio da parede, chegando na parte superior, em que a verticalidade cai. Estabeleci então a P5, fazendo com que esta enfiada possuísse apenas 30 metros, divido ao arrasto da corda e complexidade dos lances.


João veio na sequência, sofrendo também uma "vaca" espetacular na entrada da fenda, pelo mesmo motivo da minha queda. Se recompôs em segundos, voltou ao lance e mandou tudo de maneira brilhante, chegando à P5 eufórico, principalmente pelos lances de sétimo grau do início da enfiada!


Neste momento, Tufo e Michelle haviam decidido descer (da P4), aproveitando para intermediar três lances mais expostos nas enfiadas iniciais. Eu e João decidimos continuar, já que o terreno havia ficado mais amigável e pelo fato de já estarmos visualizando o final da parede. Subimos exatos 90 metros a mais, em apenas 40 minutos, estabelecendo a sexta enfiada, com 60 metros e a sétima e última enfiada, com 30 metros, até atingirmos a barreira de vegetação do topo, às 13:h40m.

Pedro Bugim e João Pedro Vergnano na P7 - Última parada da "Tal Pai, Tal Filho", durante a conquista
Pedro Bugim e João Pedro Vergnano na P7 - Última parada da "Tal Pai, Tal Filho", durante a conquista

Paramos alguns poucos minutos para nos hidratarmos, tiramos algumas fotos e iniciamos o rapel às 13h45min, com a maior agilidade possível, já que estávamos com apenas uma corda de 60m, o que representaria 11 rapeis até a base. Para nossa surpresa, a descida foi bem tranquila e rápida, principalmente por conta do tempo, que estava nublado e muito agradável, totalizando exata uma hora.


Na base, Michelle e Tufo nos aguardavam para tomarmos uma deliciosa cerveja gelada e comemorarmos juntos mais esta bela conquista, marcando a minha emblemática via de número 500! E, claro, não poderia dar outro nome que não remetesse ao meu amado filho João Pedro e nossa epopeia juntos, além de também ser uma vontade de que o Luca (filho à caminho) também curta esta cultura do montanhismo! Assim surgiu a "Tal Pai, Tal Filho" (5º VIIa (VIIb/A0) E2 D3 - 340m).


Obs. Enquanto escrevia este texto, recebi uma mensagem do Leonel, que havia repedito a "Tal Pai, Tal Filho" no dia seguinte à conquista, aferindo as graduações e informando que o lance em A0 foi "livrado", sendo graduado em 7b. Espetáculo!!!


Agradecimentos infinitos ao João, Laura, Leonel, Michelle e Tufo!!! Não há palavras para descrever o quão feliz eu me sinto na montanha, sobretudo em companhia de pessoas que tanto amo!


Clique abaixo para fazer o download do tracklog da trilha.

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Croqui da "Provedor Galeão"
Croqui da "Provedor Galeão"

Croqui da "Embarazada"
Croqui da "Embarazada"

Croqui da "Tal Pai, Tal Filho"
Croqui da "Tal Pai, Tal Filho"




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