Novo Setor de Escaladas em Móvel no PNT

Conquista de quatro vias no Morro do Conde, abrindo um novo setor de escalada móvel no Parque Nacional da Tijuca

Jan / Fev 2017


Em um dia de passeio com minha namorada e meu filho na Floresta da Tijuca, resolvi (para variar!) realizar uma pequena exploração em uma montanha que não possui grandes tradições de escalada, apesar de bastante frequentada por caminhada...

Estávamos fazendo a trilha normal de acesso ao Morro do Conde, montanha que possuía até então apenas duas vias: a “Fissura 8 de Setembro” do Francesco Berardi (década de 70) a “Fissura da Serpente”, do André Ilha (1985). Ambas atualmente praticamente abandonadas pela pouca repetição e crescimento de vegetação.

Pois naquele dia 21 de janeiro de 2017, tive a felicidade de encontrar, a pouquíssimos metros da trilha principal, uma parede bastante promissora, com fendas perfeitas e sem via alguma, na face sul desta montanha. Claro que não tardou para que eu retornasse... Repetidamente, nos três finais de semanas subsequentes, conquistei com Laura e João Pedro, quatro belíssimas vias, descritas a seguir.

Este novo setor fica a meros 25 minutos de caminhada do estacionamento da churrasqueira da Capela Mayrink. Para acessá-lo, começar a trilha atrás da churrasqueira, em direção ao Excelsior. Na primeira bifurcação, com cerca de 10 minutos de caminhada (“Excelsior x Alto da Bandeira”), pegar à esquerda, em direção ao Excelsior. Na segunda bifurcação, com mais 10 minutos de caminhada aproximadamente (“Excelsior x Morro do Conde”), pegar para a direita, em direção ao Morro do Conde. Deste ponto, andar pouco menos de 5 minutos até fazer uma curva forte para a direita (a terceira, após a bifurcação), na qual já é possível ver um pedaço da parede, olhando para a esquerda. Neste ponto, existe uma picada de cerca de 40 metros até a base.


Traçado das vias na Falésia do Conde

1) No Cu do Conde (IVsup E1 – 20m – Móvel)

Pedro Bugim e Laura Petroni em 28/01/2017

Bela fissura que começa em oposição e/ou offwidth, sempre com peças grandes (camalot #5 e #6). Evolui para uma fenda levemente negativa, feita em oposição e protegida com peças médias e grandes. Parada dupla em grampos de 1/2 no final, para rapel / top-rope. Apesar de se tratar da via mais simples da parede, possui um complicador, pois necessita de peças bem grandes para sua proteção.


3) Condenado (VIIIa E1 – 13m – Mista)

Pedro Bugim e Laura Petroni em 11/02/2017

Via curta e forte, que começa levemente negativa, com boas agarras e em oposição. Pode-se proteger os lances iniciais com stoppers grandes, ou friends pequenos. Evolui para uma micro fissura protegida por grampos de ½ até o final da via, que conta com parada dupla. A metade superior ganha certa negatividade e os lances, apesar de difíceis, são muito interessantes!


3) Conde Drácula (VIIa E1 – 15m – Móvel)

Pedro Bugim, Laura Petroni e João Pedro Vergnano em 04/02/2017

Via incrível, que segue um diedro bem definido com uma fenda contínua praticamente da base até o final. Proteções em stoppers, friends médios e pequenos e micro-friends. Em dois momentos, a fenda fica extremamente fina. Assim sendo, foram posicionados dois pittons que ficaram na parede, para a devida proteção nestes pontos. Parada dupla no final, para rapel / top-rope.


4) Fruta do Conde (Vsup E1 – 15 – Mista)

Pedro Bugim, Laura Petroni e João Pedro Vergnano em 04/02/2017

Fenda localizada imediatamente à direita da via anterior, sendo sensivelmente mais fácil. A saída original segue um lance em agarras e buracos, levemente negativo e protegido por um grampo de 1/2, antes de entrar na fenda propriamente dita. Pode-se evitar esta saída pegando uma fissura à esquerda, diminuindo o grau da via e tornando-a inteiramente em móvel. Bons lances de oposição e entalamento. Parada dupla no final, para rapel / top-rope.


Croqui das quatro vias da Falésia do Conde

Agradecimentos à namorada, Laura, e ao filho, João Pedro, por terem me acompanhado (haja paciência!) e colaborado na criação deste novo setor, durante quatro finais de semana seguidos. Amo vocês!

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© 2018 por PEDRO BUGIM

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