Serra do Funil, MG

Atualizado: 14 de Mar de 2019

Quatro dias disponíveis, tudo pronto para uma mega viagem de conquistas, mas ao ver a previsão do tempo: Feriadão com chuva.... e agora?!

Cume do Pico das Três Divisas

Dia 12 de outubro de 2018, dia das crianças, sexta feira. Dia 15 de outubro de 2018, dia do comércio. Opa! Feriadão com 4 dias na alça de mira! Comprei um estoque de chapeletas, organizei todo o equipamento e me preparei para uma conquista longa, provavelmente com bivaque na parede e tudo, em Espirito Santo. Ao se aproximar das datas previstas, o tempo estava bizarramente fechado, com ventos e chuvas fortes. Ok... ainda estávamos no Rio de Janeiro, de modo que ainda havia esperanças. Mas ao consultar alguns dos principais sites de meteorologia, tive uma péssima notícia: Tanto no RJ, quanto em alguns Estados adjacentes, a previsão era de tempo ruim durante todo o feriado.


Acredito que isso poderia desanimar qualquer pessoa "normal", mas um bom montanhista que se prese, sempre encontra meios de estar em contato com a natureza, conhecer novos lugares, explorar novos horizontes e, principalmente, estar em companhia de bons amigos.


Com este pensamento em mente, eu e Laura conversamos com o Waldecy Lucena (vulgo "Wal"), que estava com uma excursão oficial pelo CERJ marcada para a Serra do Funil. Eu não fazia ideia de onde isso ficava, tão pouco do que encontraria por lá. Mesmo assim, mudamos completamente o planejamento e lá fomos nós rumo ao desconhecido.

O grupo na Pousada do Tiê

A Serra do Funil se localiza no município de Rio Preto, no Estado de Minas Gerais, divisa com o Rio de Janeiro, pouco após a cidade de Valença, representando uma viagem (de carro) com cerca de 200km com duração de pouco mais de três horas. Apesar dos quilômetros finais serem feitos em estrada de terra, o trajeto é bem tranquilo e não representa obstáculo a qualquer carro comum.


Nosso destino inicial foi a Pousada do Tiê, localizada bem aos pés da Serra do Funil, local bem estratégico para as atividades que faríamos. O acesso à pousada é bem tranquilo e o ambiente é bem amigável. São disponibilizados chalés de casal ou compartilhados, com uma infraestrutura bem razoável, contando com churrasqueira, piscina, wi-fi, café da manhã e refeições (as refeições são pagas à parte). Para nosso azar, o wi-fi não funcionou durante o feriado todo, além de termos alguns problemas com a limpeza do local e falta de água nas áreas comuns. Enfim, nada que abalasse nossa animação!


O dia 12/10, nosso primeiro dia por lá, foi basicamente reservado para a viagem de ida, assentamento nas instalações (principalmente eu e Laura, que acampamos, devido à lotação dos chalés) e para aproveitarmos a piscina.


Já o dia seguinte, foi destinado ao foco principal da excursão: a ascensão ao Pico das Três Divisas (recebe este nome por fazer divisa com os municípios de Rio Preto, Olaria e Lima Duarte). Trata-se de uma caminhada que inicia aos 880m de altitude, indo aos 1650m de altitude do cume da montanha, com cerca de 5 quilômetros de trajeto (tracklog de terceiros por ser visto aqui).

Bianca e Laura na subida

Nossa jornada teve início às 8:45h, quando estacionamos os carros ao final da estrada que leva à entrada das trilhas do Pico das Três divisas e de outras atrações do local. Neste ponto, um fato inusitado... ao estacionar, nosso querido Wal queria manobrar para deixar o carro já de frente para a estrada de retorno. Pois bem, manobrou, manobrou, manobrou... e mesmo ao grito dos que estavam em volta, ora pois, continuou manobrado, alheio ao fato que voltara à mesma posição de quando chegara!


A caminhada começou em terreno relativamente árido, com subidas constantes e um calor de dar inveja ao capeta! Mesmo assim, o grupo (formado por mim, Laura, Wal, Bianca, Michelle, Carrera, Luciana, Tchassa, Arthur e Hernando) enfrentou o calor abafado da região e tocou para cima em ritmo forte, até ser surpreendo por uma cascavel tomando sol no meio da trilha! Passado o susto e a sequências de fotos da "coleguinha", voltamos a subir em ritmo mais lento e atento o redor. Ainda bem! Pois alguns metros acima, um novo encontro com outra cobra (desta vez não conseguimos identificar a espécie) que vorazmente pulou (mesmo!) em cima do Wal, poderia ter tido um desfecho bem desagradável, caso ele não estivesse atento.

Nossa "coleguinha" cascavel, no meio da trilha

Mesmo com os contratempos das cobras e do calor, conseguimos atingir nosso objetivo às 11:45h, exatas duas horas depois do início. E no cume, a comemoração veio com as cervejinhas "imbecilmente geladas" (de acordo com o Arthur), que eu levara na mochila.

Turma no cume do Pico das Três Divisas

A descida transcorreu sem maiores infortúnios e por volta das 14h já estávamos nos carros, em direção ao Rancho Pé da Serra, onde paramos para uma merecida cervejinha, uma deliciosa porção de aipim e uma ótima conversa com o dono do estabelecimento, o Gabriel. Depois, fomos em busca da Vila do Funil, para comprarmos alguns mantimentos. Neste ponto, o sol escaldante deu lugar a um céu negro, sinistro, que em poucos minutos desabou em forma de tempestade, ventos e raios. Muitos raios! No retorno, tivemos que esperar uma árvore caída ser retirada à moda antiga, com uso de um machado. E chagando à pousada, tive a infeliz visão da minha barraca prostrada a cerca de 100 metros de sua posição original... voou com tudo dentro, devido à ferocidade da tempestade que passou por lá. Mas, dos males o menor: poderia ter voado em direção ao lago existente ao lado de onde estava armada!


Barraca novamente fixada, banho tomado, missão cumprida. E finalmente pudemos nos voltar às comemorações, na forma de um delicioso churrasco (com direito à churrasqueira exclusivamente vegetariana), cerveja gelada e muita animação!

Laurinha e sua churrasqueira vegetariana!

Para nosso último dia em Rio Preto, optamos por conhecer as cachoeiras do Café e Amorosa. Ambas com trilha saindo do mesmo ponto em que iniciáramos a trilha do dia anterior. Apesar de estramos procurado uma atividade mais leve, a caminhada se mostrou mais exigente do que o apontado pelas placas locais. Para a cachoeira Amorosa, há uma trilha de 1,7Km, com desnível de cerca de 500m. Já a cachoiera do Café, mostrou-se um pouco mais suave, com uma trilha de meros 550m. Ambas extremamente belas e que sem sombra de duvidas, valem à pena a visita.

Cachoeira do Café

Cachoeira Amorosa

Como muitos trabalhariam na segunda feira e o tempo teimava em não colaborar, eu e Laura decidimos voltar com todos, no domingo à tarde. Decisão mais do que acertada, haja vista que não pegamos nenhum trecho e engarrafamento, considerando a volta do feriado.


Foram três dias perfeitos, em companhia de pessoas maravilhosas e em um local espetacular! Obrigado a todos pelos momentos inesquecíveis!


Noite de sábado para domingo


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© 2018 por PEDRO BUGIM

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