Fechando 2019 com mais 5 conquistas em Petrópolis

Atualizado: Jan 7

Durante o feriadão das festividades de virada de ano de 2019 para 2020, aproveitamos para fazer novas e produtivas investidas na Pedra do Moinho.

Waldecy Lucena guiando a "Esotérico" (D1 2º IV E2 - 90m) - Pedra do Moinho

Na virada de ano de 2019 para 2020, o dia 1º foi na quarta feira. Terça não haveria trabalho.... e com muuuuito esforço, a segunda feira tabém foi garantida! Ufa! Teríamos cinco dias de feriadão para curtirmos mais uma passagem de ano.


A localidade escolhida fora Petrópolis, não apenas pela proximidade, quantidade absurda de opções nas montanhas, ambiente calmo e/ou clima ameno, mas também pelo advento da casa da querida família Vizintini, a qual alugamos para o período, por um preço módico. No total, fomos em 10: Eu, Laurinha, Wal, Bianca, Tchassa, Luciana, Michelle, Carrera, Barretão e Fernando Cabelo. Não poderia haver companhia melhor!


Eu e Laura iniciamos nossa jornada um pouco antes, saindo do RJ por volta das 6h da manhã do sábado, dia 28/12/2019. Nosso alvo seria a Pedra do Moinho, local onde já havíamos conquistado duas outras vias, a "Refazenda" (D1 4º IVsup E2 - 215m - Mista) e a "Expresso 2222" (D1 3º IVsup E2 - 150m - Mista). Ambas muito bonitas e com boas passadas em móvel. Mas nosso foco estava voltado para um setor mais à direita destas vias, em uma área nitidamente propícia para algumas vias mais fáceis.

Laura Petroni no pasto que leva à base das vias da Pedra do Moinho

Chegamos ao Sítio Moinho de Produtos Orgânicos por volta das 7:45h, local onde deve-se estacionar o carro. Pegamos nossas pesadas mochilas e fomos para a base da parede, num caminho bem tranquilo que segue sempre um pasto aberto e agradável. Fizemos este percurso em passos de "lesma tetraplégica" e levamos meros 20 minutos no percurso. Maiores informações sobre o acesso, podem ser vistas aqui.


Apesar da época do ano, o dia estava incrivelmente agradável, com núvens esporádicas nos salvando da inclemência do sol e com um vento agradabilíssimo. Neste cenário, não tardamos em nos equipar e começar os trabalhos.

Laura Petroni escalando a "Realce" (D1 2º IIsup E2 - 60m)

Entramos em uma linha imadiatamente à direita da "Expresso 2222", a qual segue por um ótimo sistema de agarras e abaulados por toda a sua extensão, tornando os lances bem simples e agradáveis. Apesar de a parede ganhar extensão para a esquerda, este setor da direita mostrou-se mais diminuto, encontrando antes com a barreira de vegetação do cume. Assim, a nossa primeira conquista do final de ano ficou com apenas 60 metros, mas tornou-se - acho eu - uma das melhores opções de Petrópolis, para quem está aprendendo a escalar, ou mesmo, guiar! A batizamos de "Realce" (D1 2º IIsup E2 - 60m), possuindo parada dupla ao final e uma parada dupla aos 30 metros de altura, permitindo o rapel confortável com uma única corda de 60m.


Voltando à base, percebemos que o relógio ainda apontava 9:30h da manhã! Ou seja, ainda tínhamos um pouco de autonomia até o calor e a fome chegarem. Assim, investimos em uma linha mais à direita, saindo de um conjunto de grandes blocos de pedra, em lances levemente mais delicados que a primeira conquista. Desta vez, a parede foi um pouco maior, gerando a "Esotérico" (D1 2º IV E2 - 90m). Bonita via, que possui seu crux aos 30 metros de altura, na virada de um pequeno "tetinho", mas sempre com boa proteção. Paradas duplas a cada 30 metros também permitem o rapel com uma única corda de 60m.

Laura Petroni e Pedro Bugim ao final da "Realce" (D1 2º IIsup E2 - 60m)

Após as conquistas, às 11h já estávamos na base, organizando o material para descer a trilha (ou melhor, o pasto). Em menos de 15 minutos já estávamos no carro, plenos por termos aberto estas novas vias. Seguimos então para Corrêas, onde almoçamos no tradicional Choperia de Corrêas. Pratos executivos com um bom preço e muito sabor!


Ainda passamos rapidamente pelo mercado, antes de irmos ao Abrigo Cumes, do queridíssimo amigo Arthurzinho. Apesar dele não estar no local, confiou em mim e Laura, para passarmos uma noite por lá, afinal, nas suas próprias palavras, "já somos de casa". E foi a melhor opção possível, pois não precisamos fazer grandes deslocamentos, a logística foi simples (dormimos em redes de bivaque) e o local é uma delícia.

Bivaque "forçado" no Abrigo Cumes

No dia 29, acordamos verdadeiramente cedo. Arrumamos nossas coisas, organizamos o abrigo e partios uma vez mais à Pedra do Moinho. Desta vez, atingimos a base por volta das 7h e rapidamente estávamos na primeira conquista do dia, mais à direita da "Esotérico". Além do fácil acesso à parede e do bosque que há (proporcionando sombra e lugar para montar redes), caminhar pelas bases é bem tranquilo, bastando costear a rocha. Em poucos pontos, é necessáro contornar algum bloco de pedra, pela vegetação, mas nada muito complexo, o que torna as escaladas no lugar ainda mais incríveis.


A primeira via do dia 29 também saiu de forma rápida, em menos de uma hora (da base ao topo), contando com 90 metros, 14 proteções fixas e paradas duplas a cada 30 metros, em lances simples, com um crux bem definido após os 30 metros iniciais. Batizamos de "Domingo no Parque" (D1 2º IIIsup E2 - 90m). Realmente, é uma via gostosa e tranquila.

Pedro Bugim na conquista da "Tenho Sede" (D1 3º IIIsup E2 - 90m) - Pedra do Moinho / Petrópolis

De volta à base, o sol começou a aparecer por entre as núvens... Mas não foi o suficiente para nos desanimar. Tocamos uma vez mais para a direita e iniciamos a segunda conquista do dia. Esta via começa em uma fácil rampa, evoluindo para uma pequena barriga, onde encontra-se o primeiro crux. Na sequência, evolui para agarras incríveis até chegar em P1, a 60m do chão. Nos 30 metros finais (segunda enfiada), a impressão é que a via facilitaria, assim como todas as outras visinhas. Entretanto, há ainda um lance delicado para atingir a parada final, sendo este o segundo crux. Pelo calor que fazia, a batizamos como "Tenho Sede" (D1 3º IIIsup E2 - 90m).

Laura Petroni na P1 da "Tenho Sede" (D1 3º IIIsup E2 - 90m) - Pedra do Moinho / Petrópolis

Após as conquistas, rumamos definitivamente à casa alugada, onde encontramos parte do pessoal curtindo a piscina, já no preparo de um belo churrasco. Luxo! E assim foi o resto do dia, sem grandes preocupações se escalaríamos ou não no dia seguinte.


Mas chegado o dia seguinte... Todos à mesa, café da manhã rolando, relógio marcando 8:30h, sol querendo aparecer entre as núvens... E unanimemente, o pessoal decide conhecer as novas vias no Moinho! Ok... seria o terceiro dia seguido indo para lá, mas de fato, o lugar é tão agradável, que não havia jeito de recusar. Pouco antes das 9h da manhã, lá fomos nós.

A caminhada do Sítio Moinho até a base levou novamente os religiosos 20 minutos. O horário já estava bem avançado (por volta das 10h), mas afortunadamente, grossas núvens cobriam o sol neste momento. Wal e Michelle formaram a primeira cordada, entrando na "Esotérico". Fernando Cabelo e Barretão seguiram um pouco mais à direita e entraram na "Domingo no Parque". Carrera se contentou com a ótima sobrinha da base, confortavelmente assentado em uma rede. Já eu e Laura, olhamos para a parede e, com todo equipamento ainda na mochila, não resistimos a uma última conquista para fechar o ano!

Galera na caminhada de acesso à base das vias da Pedra do Moinho

Assim, entramos em uma bonita e óbvia linha entre a "Realce" e a "Esotérico", começando em uma delicada barriga em pequenas agarras. Mais acima, as agarras ficam amiores e a via se torna um passeio. Conquistávamos confortavemente, à mesma velocidade que as cordadas ao lado subiam, o que rendeu belas fotos e boas conversas, afinal, a proximidade o permite.

Michelle Badini e Marcos Barreto guiando a "Esotérico" e a "Domingo no Parque"

No final, já na segunda enfiada da via, um (literalmente) banho de água fria: os 5 metros finais estavam com uma lingua d'água intensa, que não permitiu que a parada final fosse batida. Assim, momentaneamente a via finializa aos seus 85 metros, em uma chapa simples (rapelável). Assim surgiu a "Tempo Rei" (D1 2º IIIsup E2 - 85m).

Barretão, Wal, Michelle, Carrera, Cabelo, Laura e Pedro na base das vias do Moinho

Por volta do meio dia já estávamos todos de volta à base, felizes pela atividade e prontos para mais uma virada de ano juntos! As novas vias em si, formam um ótimo setor para treinamento de escaladores principiantes (tanto participantes, como guias), afinal, as vias possuem graduação tranquila, com boa proteção e pouca extensão. Todas as proteções foram feitas em chapeletas PinGo, de aço inox 304, e são rapeláveis. Em todas as vias foram estabelecidas paradas duplas de 30 em 30 metros, permitindo rapel com corda única (excessão para a "Tempo Rei", que possui sua última parada - temporariamente - em uma chapa única). Todos os nomes das vias (inclusive das nossas duas conquistas anterires) foram dados em homenagem a músicas de Gilberto Gil, a quem eu e Laura temos grande admiração, além, é claro, de serem perfeitamente encaixados com algumas situações vivenciadas durante sua abertura!

Social na piscina... luxo demais!

No dia 31, Wal, Bianca, Barretão e Cabelo ainda acharam forças para escalar na Pedra Roxa, bem próximo à casa que alugamos. Já o resto de nós, preferiu se render aos prazeres mundamos no último dia do ano, curtindo uma bela piscina, cerveja e churrasco. Na virada do ano, além da ceia, fizemos até discoteca com show de laser e máquina de fumaça! A cabeça estava feita!

A festa da virada de ano! Seja bem vindo, 2020!

Agradecimentos eternos à Laurinha por toda parceria, carinho e garra! E aos queridíssimos amigos que compartilharam esta bela virada de ano! Quem venha 2020.... com mais conquistas! :-)

Linha das vias na Pedra do Moinho

Croqui das vias da direita da Pedra do Moinho

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© 2018 por PEDRO BUGIM

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