Conquista da "Expresso 2222" em Petrópolis

Atualizado: Jan 7

Nova via na Pedra do Moinho, sendo apenas a quarta da parede, em uma região belíssima e de fácil acesso.

Pedro Bugim conquistando a primeira enfiada da "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista), na Pedra do Moinho / Petrópolis

O feriado da Proclamação da República deste ano (15/11/2019) calhou de cair em uma sexta feira, nos brindando com três dias disponíveis para viajar. Assim sendo, eu e Laura combinamos com o Julio Mello e a Patricia Manzi de voltarmos em Pirapetinga, interior de MG, onde havíamos conquistado algumas vias há pouco tempo. Contudo, o tempo estava bem macabro, com chuvas fortes ao longo da semana e com uma previsão bem desanimadora para a região.


Decidimos evitar as 4 horas de estrada e a enorme possibilidade de passar três dias à toa, em uma região sem grandes atrativos, além das belíssimas paredes. Assim, mudamos nossos planos, voltando as atenções a um lugar que devo ter ido umas oito vezes neste ano: o Abrigo Cumes, do Arthurzinho, em Corrêas, Petrópolis. Apesar da previsão do tempo também estar ruim para o feriado, ao menos, teríamos boa companhia, boa estrutura e no pior dos cenários, várias possibilidades de trilhas, isso tudo a pouco menos de uma hora e meia de casa (Tijuca / RJ).

Tempo dando sinais de melhora, com arco-íris na estrada, em direção à Petrópolis

Eu e Laura subimos na sexta feira, por volta das 7h da manhã. Na estrada, as nuvens davam sinais de trégua, apresentando inclusive um belo arco-íris. Mas nem tudo são flores.... chegando ao nosso destino, o tempo tornou a fechar, despejando uma chuva relativamente forte, suprimindo toda e qualquer possibilidade de escaladas neste primeiro dia de feriadão.


Julio e Patricia chegaram por volta das 13h, bem a tempo do almoço. O resto do dia foi basicamente ocupado com conversas animadas, cerveja e mostra de filmes com projetor.

Abrigo Cumes em uma sexta feira chuvosa

Sábado o dia amanheceu com um tempo mais amistoso e após um belo café da manhã, rumamos para uma exploração, eu, Laura, Julio, Patricia, Arthurzinho e Roberta (esposa do Arthur). O dia foi longo... ficamos na parede até o sol se por e o retorno para o abrigo foi depois das 22h. Mas o saldo do dia foi bem positivo, com um novo projeto no qual avançamos cerca de 320m. Mas essa história fica para outro post, quando a conquista estiver concluída! ;-)


Domingo acordamos cedo. Os corpos ainda estava moídos do dia anterior, mas o tempo estava espetacular: nublado e com uma temperatura extremamente agradável. Eu e Laura não aguentamos e resolvemos fazer uma visita à Pedra do Moinho, no bairro do Sumidouro, a pouco mais de 30 minutos do abrigo.

Laura Petroni na base da "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista)

Por lá, já havíamos conquistado a via "Refazenda" (D1 4° IVsup E2 - 215m - Mista). Nesta parede, inclusive, além da "Refazenda", existiam apenas outras duas vias completas, com espaço para um sem número de linhas. E a melhor parte, é que o acesso é feito por um pasto aberto, bem simples, sem necessidade de grandes esforços para se chegar na base. Maiores informações sobre o acesso, podem ser vistas aqui.


Começamos a subir exatamente às 9:22h e, 25 minutos depois, às 9:48h, já estávamos na parede, isso, andando em um ritmo bem leve, sem pressa. A base é perfeita, pois além de plana e ampla, conta com pedras para sentar e árvores para fazer sombra.


Escolhemos uma linha bem convidativa, logo abaixo de um grande diedro em arco para a esquerda. Rapidamente colocamos nosso equipamento em pouco após as 10h da manhã, lá estava eu iniciando mais uma via.

Pedro Bugim colocando a primeira proteção fixa da via "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista)

Os lances iniciais são relativamente tranquilos, em agarras e um pouco de aderência, protegidos com três chapas até de fato chegar ao diedro. Grata surpresa tivemos ao descobrir que a fenda era simplesmente perfeita e pôde ser totalmente protegida em friends pequenos e médios (camalot #0.3 ao #2), todos muito sólidos. Cheguei a tentar virar o teto antes do seu final, mas o lance ficaria bem complexo. Por isso, optei por aproveitar a fenda até seu limite, fazendo a virada em um lance de 4° grau bem interessante.


A sequência após o diedro / teto segue em agarras e com uma rocha de ótima qualidade, sendo protegida por mais 4 chapas até chegar à primeira parada dupla da via, 60 metros após o seu início. Importante frisar a necessidade do uso de uma fita longa para costurar a primeira proteção após o diedro, para evitar o arrasto.

Laura Petroni na P1 da via "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista)

A segunda enfiada parecia curta, pois há uma barreira de vegetação que impede a vista dos lances superiores. Mas ao chegar perto da mesma, verificamos que existe uma ótima passagem pela rocha, bem limpa e óbvia, ligando à parte superior da parede. Com isso, consegui esticar outros 60 metros, passando inclusive por uma barriguinha muito interessante, pouco antes da segunda para dupla, sendo este o crux da via, em 4°sup e bem protegido.


Os 30 metros finais pareciam ser "burocráticos", mas no fim, apresentaram um lance em aderência bem bacana, até finalmente chegar na reta final da via, onde a parede perde inclinação e a graduação cai.

Pedro Bugim conquistando a terceira enfiada da via "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista)

O rapel foi feito de forma bem rápida e por volta das 13h, eu e Laura já estávamos de volta à base, surpreendentemente ainda com bastante energia, haja vista o ótimo tempo que pegamos, completamente nublado e com um ventinho na medida certa. A descida do pasto foi feita em cerca de 10 minutos, mesmo com as paradas que fizemos para admirar a nova linha e suas proteções, ainda com a marca do pó de pedra.

Laura Petroni descendo o pasto de acesso à via "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista) na Pedra do Moinho

O nome da via foi dado em alusão a uma das casas exatamente abaixo da parede, com numeração "2222", ficando como "Expresso 2222" (D1 3° IVsup E2 - 150m - Mista), além de fazer par com a via "Refazenda" (ambos, nomes de músicas de Gilberto Gil).


Agradecimentos ao Arthurzinho por mais uma hospedagem top em seu abrigo e à Laurinha, por todo companheirismo e garra! Não poderia haver companhia melhor para passar estes três dias de aventura!



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© 2018 por PEDRO BUGIM

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